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A esperança tem seu lugar na história, mesmo que muitos a tratem com desdém. No sentido prático, esperar está longe do significado concreto da esperança. Tem muito mais a ver com realizar do que com ficar parado no mesmo lugar. Ninguém quer perder o bonde da história, todos sabemos. Assim como a criança não espera para crescer, o jovem também perde por esperar. Quem não tem esperança acaba cabisbaixo, como se tivesse levado uma bronca da vida. E, às vezes, leva um tempo demasiado para erguer a cabeça e se fazer valer.

Vale a pena acreditar na humanidade. Ela quer algum tipo de salvação – entenda isso como quiser ou como melhor lhe aprouver. Mas, em alguns muitos casos, não sabe como encontrar. E as pessoas se deixam levar pela primeira oportunidade. Uma mudança quase sempre é atraente aos olhos menos treinados, ainda que não seja nada significativa ou que mereça crédito nessa felicidade que nos pertence. Daí que esbarramos na preguiça de ser feliz. Esbarramos? Não! Damos com a cara mesmo. Exploração alheia, desigualdades próximas, guerras de todos são exemplos constantes dessa preguiça individual.

E não parece ser ao acaso que tanta infelicidade atraia jovens em todo lugar. Mesmo a falsa proposta libertadora do terrorismo (político, religioso, racial…) atende uma demanda juvenil ansiosa por ação num mundo que deixou a esperança na gaveta mais alta do armário mais distante. E quando se obtêm êxito numa conquista mentirosa, nem mesmo a maturidade trará novas oportunidades aos preguiçosos. Assim se dá com ditadores, chefes impiedosos e outros líderes que passam por aqui sem deixar praticamente nenhuma história divertida. À ignorância não cabem curtidas.

Nalgum momento, imagino eu, você me rebaterá afirmando que a juventude aprende errando. E serei obrigado a me compadecer de suas intenções. Como não há perfeição na história de todas as coisas, parece-me um tanto lógico olhar para trás com alguma nostalgia – mesmo quando das inconsequências. O erro é uma lição voluntária ainda não totalmente compreendida. E a razão comete o mesmo tanto de gafes que o coração. De qualquer modo, precisamos acreditar no equilíbrio para seguir em frente: é o que o universo faz, seja com uma gota fazendo volume no oceano ou com uma supernova destruindo a galáxia.

Não precisamos ser gota ou supernova. Não precisamos de argumentos fajutos e outras más intenções. Não precisamos da preguiça para ser feliz. Só precisamos de equilíbrio.

> Crônica publicada no Jornal Notícias do Dia em 24/09/2015.

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