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Ainda que uns poucos não acreditem, a democracia é um caminho para lá de interessante. Pode não ser o melhor possível, mas tem seus méritos que fazem valer a pena mesmo de almas pequenas. Na democracia republicana, porém, as almas pequenas se apequenam ainda mais quando fazem dos partidos políticos a engrenagem propulsora da administração nacional. Às vezes, partidos surgem com intenções sinceras, noutras não. E é este entendimento (ou a falta dele) que contribui negativamente para uma política de alianças tão duvidosas quanto a brasileira.

Em momentos de crises, os ilustres idiotas estão apenas preocupados em encontrar culpados e não em apontar iniciativas modernizadoras. Por que não anseiam pelo revigoramento partidário? Se perdemos o bonde do parlamentarismo, por que não trazer o assunto à baila outra vez e de novo?

Alguns partidos atuais assumem para si posições tão divergentes que, no final das contas, deixam de ser, exatamente, partidos. Partidos inteiros não deveriam existir num regime presidencialista como o nosso. Um partido é um fragmento da sociedade, uma demanda que deve se instaurar na república para fortalecer os pontos de vistas, colaborar com a diversidade e trabalhar por objetivos específicos das pessoas. Já num partido inteiro o que acontece é justamente o contrário: nenhum ponto de vista é fortalecido, pois o próprio partido aceita a contrariedade; não colabora com a diversidade, pois necessariamente um grupo pequeno deverá representar o partido em nível nacional, desprezando as divergências internas; e não trabalha por objetivos do cidadão, pois sua sustentação é através do próprio partido, cada vez mais preocupado em participar das esferas do poder. E, para ser ainda mais claro, esta última característica que consiste em olhar primeiro para si mesmo é precisamente aquilo que, por fim, o iguala a todos os outros partidos dentro desta bengala institucionalizada chamada governabilidade.

A governabilidade vem falando mais alto desde a redemocratização, e todo o resto vira acessório – incluindo os Três Poderes e sua incapacidade de trabalhar de forma organizada e individual. Nosso modelo desgastado precisa de uma chacoalhada direta, sem falsas representatividades, sem ideias retrógradas quais a volta de um regime militar ou a separação de alguns estados em novos países, sem incentivadores do conchavo e do poder a todo custo. A responsabilidade é de todos os partidos e do cidadão que deixou de participar desse jogo de interesses. Xeque-mate em quem? A democracia quer a resposta.

> Crônica publicada no Jornal Notícias do Dia em 29/10/2015.

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