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Minha cara Estela, escrevo esta carta de uma galáxia muito, muito distante. Sei que compreenderás os motivos que me levam a tornar públicas estas palavras, mesmo que seja numa crônica de jornal. Não, não faço isso por vingança pessoal e nem por ter sofrido bullying quando me chamavam de nerd ou quatro-olhos. Se queres realmente saber o motivo, eu confesso: foi a força (sem crase mesmo). Fiz por vontade própria, sem qualquer indução do lado sombrio. Está bem, está bem; sei que você sempre fala que isso é bobagem – coisa de fã de Star Wars com tempo sobrando, mas não me culpe. Devo boa parte do que sou à mitologia criada pelo George Lucas. Devo até mesmo ao Chewbacca, aquele ser que parece um cachorro peludo gigante, o nosso relacionamento. Eu estava provando uma fantasia dele quando passei mal de tanto calor e tive de ir ao hospital. Lá, encontrei você com um coque no cabelo igualzinho ao da Princesa Leia. Uma enfermeira vestida como a princesa dos meus sonhos. Não resisti. Deixei de comprar aquele abajur em formato de sabre de luz e investi num buquê gigante de flores. E você aceitou meu pedido para sair… mas foi justo no dia que estava passando uma reprise dos dois primeiros filmes da saga na televisão. Naquela época, eu nem tinha videocassete para ficar revendo os episódios quando bem entendesse. A internet era só um delírio de ficção científica dalguma película juvenil oitentista. Mesmo assim, nosso encontrou rolou. Claro, eu estava meio chateado, mas teu jeito delicado me desnorteou. Por algum tempo, até esqueci daquelas guerras na estrela… Toda a força de que eu precisava vinha de você. Mas aí… ai de mim… lançaram o episódio VI. Nada mais, nada menos que o fim de tudo. A conclusão mais esperada desde, sei lá, quando Moisés foi buscar as tábuas na montanha. Mais uma vez, eu me senti um jedi. Estávamos em 1983, e eu só usava bermudas coloridas. Mas deixemos a cafonice de lado e nos concentremos no que importa. Nos cinemas, Luke e Anakin Skywalker faziam as pazes. A plateia delirava. Nem sei quantas vezes assisti e assisti de novo e novamente o Retorno do Jedi. A euforia só aumentou quando você me falou que estava grávida. E eu custei a te convencer que o nome Lucas não era só uma homenagem ao George. Talvez fosse, mas isso é assunto vencido. Hoje, nosso filho já está grande e virou um cavaleiro dos bons. O nosso Lucas quer que façamos as pazes, porque hoje estreia Star Wars: O Despertar da Força e ele precisa de companhia. E aí, você topa?

Assinado: um fã “estelar”.

> Crônica publicada no Jornal Notícias do Dia em 17/12/2015.

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