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A documentação é farta. Mesmo assim, eles continuam agindo silenciosamente, nas sombras, infiltrados em todas as organizações de respeito. Os dossiês suspeitos de pessoas suspeitas afligem ainda mais as estruturas legais. Daí que o cenário se desnuda como o rei e sua coroa solitária por vestimenta. De forma oligárquica e impopular, são escolhidos os sucessores da ordem e do progresso, enquanto os traidores julgam os traídos.

No meio dessa balbúrdia administrativa, há os isentos e os ausentes. Há os que não querem sujar as mãos porque a lama atinge cidades e reputações. De alguma maneira, estamos soterrados sob a mesma incapacidade humana. Deficientes de consenso somos todos e inventamos o setor jurídico para disfarçar esse mal estar. O clã dos ignotos é nitidamente centralizador: com a displicência de quem rouba o doce por um bem maior.

Entre atores e atingidos, sobram verdades que nem mesmo o jornalismo consegue dar conta. A história do tempo presente é reescrita a cada cena, mas nunca tendo no horizonte um final de contos de fadas. Viver feliz para sempre requer luta, disputa, determinação: características que falham tão logo o sistema admite a possibilidade de mudança. Se o status quo fosse uma pessoa, jamais pensaria que esteve errado este tempo todo. O equilíbrio dos Três Poderes nada mais é que a manutenção do erro para quem esteve sempre certo de si.

Agentes secretos estão por toda a parte. Você os vê, mas nunca presta a atenção devida. Nalgumas vezes, são os chefes; noutras, subalternos; em todas, reprodutores ainda mais eficazes que máquinas fotocopiadoras. Suas atividades ficam naquela insípida fronteira entre a ilegalidade e a imoralidade – mas, por milagre ou cegueira jurídico-política, acabam não sendo coisa alguma. Estes agentes comprovam diariamente que a repetição ou a fabricação em série já não são exclusividade do maquinário industrial. Existem funções pré-definidas como sempre. A propagação da cópia é a definição de uma excelência em servir. Para todos os efeitos, os caminhos ainda são os mesmos.

Como dito anteriormente, há um vasto material contemplando este assunto. Verdadeiros compêndios dramáticos encontram-se em universidades, clubes subversivos, zonas de meretrício, barzinhos mal iluminados… E os suspeitos de sempre lidam bem com essas denúncias porque são amparados pelo triunfo da vontade de uns muito poucos. De que servirão tantas páginas impressas acumulando poeira e resguardando as desigualdades? Nem mesmo o mais sábio entre nós seria capaz de responder.

> Crônica publicada no Jornal Notícias do Dia em 05/05/2016.

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