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Quando Stephen Curry se aproxima da linha de três pontos, há sempre a sensação de que uma cesta espetacular deixará a todos boquiabertos. De novo. E novamente. Nesta temporada regular da NBA, Curry estabeleceu um recorde absoluto: 402 bolas de três pontos, ajudando seu time, o Golden State Warriors, a conquistar 73 vitórias num total de 82 jogos – outro feito inédito.

Muitos especulam sobre uma nova revolução no esporte, aliando as habilidades técnicas (e, creiam, Curry as têm de sobra) com o fator “cesta de três pontos” para definir um jogo. E há alguma coerência nessa conjectura. Peguemos, por exemplo, o Cleveland Cavaliers, time que perdeu para o Golden State nas finais da temporada 2014-2015. Para os Cavaliers, agora, os arremessos longe da cesta tornaram-se essenciais numa equipe que pode chegar a sua segunda final consecutiva – assim como os Warriors. O basquete, mais até do que outros esportes cujo domínio da bola é determinante, fomenta a imitação em seu melhor sentido: ídolos existem para serem alcançados e, por vezes, superados. Não que Michael Jordan esteja sob ameaça de perder seu trono como o maior do basquete, saliente-se!

Voltando a Curry, outra característica que lhe agiganta nas quadras é o prazer com que seu jogo se desenvolve. Há fluidez, originalidade, improviso e, sobretudo, um longo, longo treinamento para atingir a técnica que deixa seus marcadores perdidos. À plateia, o atleta de 28 anos proporciona uma satisfação daquelas partidas vagamente nostálgicas, quando o mais importante era o esporte, para além de fama, fortuna ou glória. E o genial é que isso acontece justamente na liga que possui os maiores salários do planeta em qualquer modalidade.

Com cara de moleque simpático, Stephen Curry não está fazendo essa possível revolução no basquete sozinho. Pelo contrário, seu time interage nesta mesma pegada que mistura brejeirice com dedicação. Não por acaso é de se registrar com ênfase a participação de um jogador igualmente preciso nas cestas de três pontos: Klay Thompson – que, avaliam alguns, possui um arremesso ainda mais bonito que o de Curry. A dupla, aliás, ganhou o apelido de Splash Brothers pela atuação costumeiramente brilhante.

O basquete é um jogo ágil, de fácil entendimento e sobremaneira vibrante ao possibilitar uma grande pontuação e, inevitavelmente, uma constante variação na liderança do placar – principalmente numa liga tão bem equilibrada como a NBA. Muito mais do que uma consequência de investimento financeiro volumoso, Stephen Curry surge qual um agente da alegria que deixa o basquete e, por que não?, a vida muito mais divertidos.

> Crônica publicada no Jornal Notícias do Dia em 26/05/2016.

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