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Um jazzinho daqueles divertidos embalando o ambiente, um ator comandando o palco. No que poderia ser um típico clube nova-iorquino, surge um programa de televisão pautado pelo dinamismo de seus convidados e, evidentemente, pela habilidade de seu apresentador para o entretenimento.

Jô Soares é um daqueles personagens da cultura popular que se confundem com os momentos da história brasileira. E confundem mesmo, já que a trajetória do apresentador / cronista / humorista / ator / etc é tão cheia de zigue-zagues que deixaria qualquer um tonto. De escada para o genial Ronald Golias em Família Trapo ao consagrado apresentador de TV e escritor, Jô percorreu um caminho de poucos. Na área do humor, talvez só perca em reconhecimento para o saudoso Chico Anysio – ainda que perca bem de longe.

O talento de comediante, todos sabemos, fora consagrado em clássicos da televisão, como Faça Humor, Não Faça Guerra, Planeta dos Homens e Viva o Gordo. No entanto, seu prestígio de personalidade e intelectual viria somente com o programa Jô Soares Onze e Meia, na emissora de Silvio Santos. Foi a partir dali que Jô pôde escolher exatamente o que fazer e à sua maneira. Trouxe o formato de talk show, até então uma novidade para a TV aberta brasileira, o qual se adaptou com exatidão à sua veia cômica. Seus conhecimentos culturais só reforçaram a qualidade de suas entrevistas, mesmo que muitas soem apenas como bate-papos descompromissados.

Como convém a qualquer pessoa famosa, Jô Soares também não passou incólume às críticas – muitas merecidas, e outras até motivando a mea culpa do apresentador. Por vezes, Jô desdenhou das ideias de seus entrevistados, enquanto noutras oportunidades passou praticamente toda a entrevista rasgando elogios para seus amigos de longa data. Por vaidade ou por descuido, cometeu erros como é de praxe de todo ser humano. Assim, sua relevância pode até ser colocada em perspectiva, mas jamais ignorada.

Neste mês de dezembro, o Programa do Jô encerra sua exibição, terminando concomitantemente quase três décadas de seu talk show. E ninguém ainda sabe do futuro do artista. Cá entre nós, desconfio que será bem humorado. Com um jazzinho de fundo, é claro.

> Crônica publicada no jornal Notícias do Dia em 15/12/2016.

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