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Queria te deixar um registro brilhante ou, ao menos, emocionante. E, olha, muitos de nós tentamos fazer com que este ano desse certo. Mas parece não ter sido o suficiente. Talvez, com a distância do tempo, você consiga me ler com mais clareza do que eu possuo agora ao escrever tais mal traçadas. Saiba, no entanto, que não foi fácil passar pelo que passamos. Nunca é, eu bem sei. Só que existem momentos em que a cisão se torna mais evidente e tudo desaba porque nunca foi sólido de verdade. Ao menos, alguns de nós aprendemos.

Sentado, olhando a página vazia do computador, emerge a vontade de jogar tudo para o alto. E, bem, não vou negar que sou tão humano quanto qualquer outro de nós. Os erros se aplicam a mim como aos demais. Por isso, seja gentil ao me julgar em sua perspectiva. Lembre-se: você já é o futuro, enquanto eu sou o passado. O melhor passado que conseguimos. O único passado possível. Pondero um pouquinho mais e decido permanecer aqui mesmo. Terminar esta crônica porque sei que você aí merece uma chance. E sempre desejarei tudo de bom para você e para os seus. Teu tempo tem tudo para ser ainda mais interessante do que o meu; mais prazeroso até. As crises do seu período, possivelmente, terão outras soluções – sendo que algumas delas nós aqui do passado sequer pensamos em executar.

Na essência mais trivial, foi um ano estranho. Por vezes, soou mudo e teve cores insalubres. Divergimos tanto politicamente que ninguém teve tempo para seguir adiante. Sim, os protocolos políticos foram utilizados à revelia porque os corruptos entendiam de se proteger. Ah, e como eles passaram por cima da lei. Fizeram da justiça qualquer coisa semelhante a um bobo do corte (ou do Congresso, no caso). E a Dona Justiça continuou com a venda nos olhos, fingindo não ver que vivia num mundo imperfeito. Quem não cedeu se deu mal. Não obstante, ainda perdemos gente de toda sorte: Ídolos do esporte, das artes, do pensamento… nos deixaram sem dizer adeus.

Você verá os fatos nos livros de história e poderá repetir comigo num uníssono atemporal: “Que ano!”. E, assim, concordaremos que deste legado atual só nos sobrou a falta do que passou.

> Crônica publicada no jornal Notícias do Dia em 29/12/2016.

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