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Para azar de 2017, o ano que lhe antecedeu foi sobremaneira desastroso, ainda mais quando levamos em consideração um recorte político. Pois que mesmo os otimistas estão olhando duas vezes antes de atravessar a rua, ou mesmo uma travessa miúda como a Travessa Ratclif, ali no Centro da Ilha. Se é tempo de cuidado e atenção, o mesmo deveria valer para uma administração municipal assim que assume um novo mandato. Em Florianópolis, por sinal, fazia bastante tempo que um mesmo prefeito ficava apenas quatro anos no seu gabinete – claro que, de vez em quando, os alcaides sempre arranjam uma maneira de tomar um ar nas ruas longe das vaias ou dos aplausos. Ao novo prefeito e, por consequência, seus colaboradores, resta a pergunta de sempre: qual progresso estão buscando? “Buscando”. No gerúndio mesmo, já que parece que nunca chegamos nele de fato.

Florianópolis tem suas particularidades, como qualquer outra cidade, mas com aquele ligeiro diferencial que só cabe a outros vinte e cinco municípios – descontando o Distrito Federal, claro: trata-se de uma capital de Estado. E uma capital na qual os principais serviços se encontram numa Ilha, ligada ao continente por duas pontes quase sempre entulhadas de veículos e outra ponte que virou cartão postal em permanente estado de reforma. É bem verdade que os administradores públicos estão cansados de saber disso. E, talvez, tantas singularidades empolguem os candidatos no pleito municipal. Mas a questão do parágrafo anterior continua em aberto.

O progresso tem muitas formas. Diria até que ele possui muitas aparências que se disfarçam de conteúdo. Por isso, sempre que posso, procuro não misturar os conceitos de progresso e de evolução. Enquanto a evolução está meio que por aí, rindo do destino e sorrindo ao acaso, o progresso permanece calado, fruto de uma decisão fria e calculada. Progresso e evolução têm seus defeitos e suas qualidades, sejamos justos. Ambos não nasceram para se transformarem em vilões da história. Pelo contrário, quem carrega esse fardo, em geral, são justamente os líderes políticos, militares, etc… quando ignoram o resto de nós em troca da bonança e do mais do mesmo.

Nós, ilhéus por nascimento ou por adoção, questionaremos até que a resposta seja, ao menos, satisfatória – o que já será um ganho e tanto.

> Crônica publicada no jornal Notícias do Dia em 05/01/2017.

 

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