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Não sei se faz algum sentido aquela velha ideia de que o ano só começa depois do Carnaval – nem enquanto metáfora. A saída de dezembro e a chegada deste 2017 vem acompanhada de fogos reais e bombas simbólicas, ainda mais em tempos de Operação Lava Jato. Já faz algum tempo, aliás, que o tempo não para, mesmo antes do Cazuza cantar isso com seu exagero inconfundível. O ano não apenas começou faz tempo como parece ser o mesmo dos últimos anos.

O erro na apresentação do Oscar de melhor filme e os acidentes em carros alegóricos nas escolas de samba do Rio de Janeiro são cotidianidades de quem nunca esquece a responsabilidade que é viver. Somos imperfeitos, mas não é preciso abusar. No caso do prêmio de cinema, um simples constrangimento transmitido para mais de 200 países pode abalar a empresa de auditoria que cuida há 83 de guardar o nome dos vencedores e entregar o envelope com o nome do premiado até que se diga “And the Oscar goes to”. A arte imita a vida e, por vezes, causa algum prejuízo; as pessoas machucadas pelos acidentes nas escolas de samba que o digam. As equipes organizadoras do Carnaval e do Oscar precisam repensar os detalhes para que este ano não continue a ser o mesmo no ano que vem.

Findo o Carnaval (menos na Bahia, ao que parece, felizmente), Marcelo Odebrecht dá seu depoimento sobre a chapa Dilma-Temer. Não é coincidência. As festas se sucedem tanto no céu quanto no inferno. Cabe a STF dizem se é Deus ou o Diabo quem tem razão na Terra do Sol. O complicado do Brasil é o brasileiro, parece-nos. Tempos extremos, medidas extremas: isso não rende bons poemas.

A efetividade do início do ano após o Carnaval é um mero truque inventado pelos políticos mal intencionados de Brasília. Eles fazem como a Ivete Sangalo que se disfarçou de palhaça para curtir os blocos de rua incógnita. A diferença é que a Ivete é muito mais divertida.

Também por estes dias, a NASA divulgou a existência de novos planetas que podem abrigar vida. Duvidamos, no entanto, que o Carnaval seja comemorado por lá, a cerca de 40 anos-luz de distância da Terra. Tampouco cremos nalguma implicação da empreiteira Odebrecht por aquelas bandas, mas é melhor esperar as delações premiadas.

O tempo não para e, por vezes, repete a si mesmo. “And the Oscar goes to La La Land. Não? Espera um pouco”.

> Crônica publicada no jornal Notícias do Dia em 02/03/2017.

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