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A lista de Fachin. De maneira geral, foi assim que a imprensa brasileira apelidou o pedido de abertura de inquérito para 76 figuras da política brasileira. O ato, realizado pelo Ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, parece realmente merecer um título à parte, como uma narrativa que será contada em jornais do presente e nos livros de história do futuro. Com oito ministros, 24 senadores, 39 deputados e três governadores entre os envolvidos, parece mesmo que há algo de podre no reino da política brasileira. E olha que alguns ainda se esforçam para a situação piorar.

Como tantos milhões de brasileiros, vejo a lista do Fachin com profunda lamentação. Temos ali nomes que vêm discutindo um (pseudo) projeto de nação há anos, alguns deles participantes ativos em momentos de lutas pró-democracia, como o movimento Diretas Já. Hoje, suspeitos que são de cometerem crimes contra o país, perdem o pouco do respeito que alguns de nós ainda resguardam aos políticos.

No meu tempo de escola, ter o nome na lista era uma coisa quase sempre boa. Estar na lista de uma festa, era pertencer ao grupo de alguns escolhidos. Claro, havia qualquer coisa de exclusão ali também, mas a cabeça adolescente era e é um poço de contradições. Quando da época das olimpíadas escolares, o nome na lista não garantia a participação na modalidade esportiva em questão, mas era uma possibilidade de medalha caso a equipe saísse vitoriosa.

Na época da faculdade, tínhamos de lidar com algumas listas voluntárias e outras obrigatórias. As voluntárias eram para atividades não necessariamente acadêmicas, como viagens extracurriculares, festas coletivas (um organizava, todos contribuíam) ou mesmo para participar da formatura, gastando uma grana alta com local, banda & afins. Já as listas obrigatórias diziam respeito à presença na sala de aula. Uns professores cobravam, outros não. Mesmo assim, assinar a lista de presença era um gesto de comprometimento positivo porque havia certo orgulho naquele movimento manual.

Por sua vez, a lista de Fachin parece incluir muita gente bem instruída, porém mal educada. Depois de aproveitar um bocado, esse pessoal poderá se entender com a lei e, por fim, compreender que um nome na lista também pode ser uma grande roubada.

> Crônica publicada no jornal Notícias do Dia em 13/04/2017.

 

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