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Quisera definir o amor ou, quiçá, uma coisa menos espetacular como a paixão. Ter respostas para perguntas diretas, simples e objetivas, explicando o que é a vida?, por que existimos?, para onde vamos? Assim, poderia equilibrar os sonhos no mesmo pêndulo da realidade que insiste em se voltar para nós. Com um pouco de obstinação, entenderia essa vontade indômita para com o tempo, o espaço, as coisas belas e sujas que encontramos ao longo do caminho. Tamanho conhecimento teria grande valor para medir as ideias mais sublimes, que se desmancham no ar feito algodão doce tomando vento.

Essa experiência do dia zero ao dia final acontece tendo a companhia constante de incertezas, dúvidas e suspeitas. Não, não é pessimismo. Tanto mistério pode ser ainda mais interessante. Só que um tantinho de fatos definitivos não fariam mal a ninguém. A própria narrativa histórica agradeceria se a verdade tivesse um lado, pelo menos uma vez na história. “Em cada lago a lua toda brilha porque alta vive”. Procure a referência.

Na metade do caminho (ou antes ou depois), você se dá conta de tudo que ainda não aprendeu. Pode ter a ver com as suas escolhas – algumas vezes tem mesmo –, mas é provável que uma imagem qualquer de você mesmo tenha se projetado no primeiro muro ou espelho que se lhe atravessou. Sem mais, nem menos. Único e igual a todo o resto. A vontade foi ainda mais forte do que nas oportunidades passadas. Olhando com cuidado, meio que de repente, parece ser o momento certo para colocar tudo em perspectiva. E é o que se dá neste exato instante. Precisão. Paixão. Amor.

Por um momento ou dois, você ainda insiste em culpar o destino. Eu, particularmente, já deixei de fazê-lo há tempos. Na maioria dos casos, culpas ou responsabilidades só adiam a leitura do contexto, cegam-lhe os olhos feito spray de pimenta em manifestações de rua. Não tenho interesse em visitar sinas e esquinas mais do que uma vez. Tomando fôlego, a odisseia será menos heroica e mais cotidiana. Alguém continuará tramando os tapetes que nunca chegam ao fim porque o personagem principal ainda está perdido, qual o filho que volta para casa depois dos 30 anos.

Quem não encontra respostas ou definições continua a tecer crônicas. Nisso eu acredito.

> Crônica publicada no jornal Notícias do Dia em 22/06/2017.

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