As comparações entre William Shakespeare e Machado de Assis podem ser as mais diversas, tanto em relação às suas vidas quanto em função de suas obras. Ambos viveram momentos de transição secular (do século XIV para o XV, no caso de Shakespeare e do XIX para o XX, para Machado), quando novas ideias se faziam vibrar no ar e na mente das pessoas.

Shakespeare pegou um momento de protestantismo latente, fatos históricos marcantes para a Inglaterra e uma cena teatral propícia para seus escritos que misturavam o popular e a tradição clássica.

Machado de Assis caminhou por linhas similares, sendo até mesmo acusado de modernista! – um modernismo positivista à época –, o qual sempre criticou. Isso porque Machado não fazia questão de navegar na moda do momento, quando o naturalismo romântico (alguém aí falou em Eça de Queirós?). O autor carioca quase nunca saiu do Rio de Janeiro (a cidade), mas parece que seus textos exploravam a alma do brasileiro não como quem define características nacionalistas (José de Alencar?), mas como o explorador de uma nação que sempre questiona a si mesma na eterna questão “quem somos nós?”.

Shakespeare inventou o humano e Machado o explorou internamente.

Logo, eis que a melhor dramaturgia vêm daquela ilha europeia chamada Inglaterra; a melhor narrativa em prosa está abaixo da linha do Equador, onde costumam dizer que é a pátria d’Ele.

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