Shakespeare, segundo alguns autores, não seria incluído no estilo literário renascentista, mas sim no “Maneirismo”. Este último seria caracterizado por tentar a conciliação das heranças medieval e renascentista, fundir o cômico e o trágico, colocar uma natureza dupla do herói, pela presença do grotesco e o convívio dos elementos realista e fantásticos. Nesse sentido, a obra de Shakespeare & Miguel de Cervantes (que, não por acaso, aparecem tardiamente no que chamamos de “renascimento”) seriam encaradas como pertencentes ao maneirismo.

Basta nos lembrarmos da comicidade da ama da tragédia Romeu & Julieta, o drama fantástico e presente de Hamlet que enxerga o fantasma de seu pai, a presença do grotesco em seus vilões como Ricardo III e, mesmo, na trama carnívora de Titus Andronicus.

Não sei em relação à Espanha de Cervantes (talvez o país mais católico de então), mas a Inglaterra protestante do bardo possibilitaria uma condição sine qua non para sua obra ter sido assim feita. E a Inglaterra ainda possui uma identidade particular que pode ter feito toda essa diferença na hora do nosso amigo de Stratford ter escrito suas peças. Segundo Eduardo Dowden, em Característicos da Literatura Isabelina, a confluência do protestantismo com o renascimento possibilitou o florescimento de idéias e sugestões com um pé no mundo material e outro no mundo espiritual. Se Shakespeare pode ter vindo de um família católica, conforme aponta F. E. Halliday no livro Shakespeare – Vidas Literárias, isso só corrobora como essa duplicidade está presente em sua obra.

Seja como for, a classificação de suas obras como pertencentes ao “Maneirismo” ou ao “Renascimento” não conseguem apontar a verdadeira categoria na qual nosso ilustre dramaturgo se encontra: a dos gênios.

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