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Na Aquarela de Toquinho, ele conseguiu de passar uma América a outra num segundo: bastava girar o compasso e, en voilà!, um mundo de presente. Eis o que acontece quando a imaginação toma conta, definindo rumos como quem navega, virtualmente ou não. “Um barco a vela branco, navegando, é tanto céu e mar num beijo azul”. A única história humana é, em si mesma, uma história de viagem. Cada descoberta é um caminho que se apresenta. As terras, apesar das fronteiras ilusórias e extremamente militarizadas, são locais de chegadas e partidas, encontros e reencontros. O mesmo chão une o garimpeiro e o latifundiário; as diferenças estão no modo de olhar essas paisagens. Sob a terra, a sete palmos, daí mesmo que quaisquer distinções se apagam. Se deixar, a areia vai tomando conta… qual o deserto em expansão, quais as dunas roubando um tantinho das avenidas litorâneas, qual o tempo simulado numa ampulheta. “E o futuro é uma astronave que tentamos pilotar”. Tempo. Espaço. Ou uma coisa ou outra. Ambas deixando claro que não existe fuga de si mesmo. Na América ou na África, ainda seremos viajantes. Imigrantes da própria Terra, expatriados no único lugar que poderíamos ter nascido. Visionários ainda esperando a chegada do avião rosa e grená. “E se a gente quiser, ele vai pousar”.

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