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Talvez a grande semelhança entre Pablo Neruda (1904-1973) e Fernando Pessoa (1888- 1935), os dois expoentes supremos da poesia em seus idiomas, seja uma capacidade de escrever sobre tudo. Pessoa, no entanto, definiu a totalidade; livrou-se de todo o resto e ficou com o absoluto (“E vivemos vadios da nossa realidade. | E estamos sempre fora dela porque estamos aqui.”). Neruda, por sua vez, sublimou o mínimo; porque tudo é natureza, seja feito de amor, política, tempo ou paisagem, como acontece neste póstumo A Rosa Separada, quando o fascínio pela Ilha de Páscoa lhe arvora o único sentido que realmente interessa: a criação. Escreve Pablo:o olhar secreto da pedra, | o nariz triangular da ave ou da proa | e na estátua o prodígio de um retrato | — porque a solidão tem este rosto, | porque o espaço é esta retidão sem rincões, | e a distância é esta claridade do retângulo.

rosasepara

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