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Porque parte de nossa miséria, a poesia urbana escorre feito prosa, misturando-se à chuva na sarjeta. A história das ruas, dos sem eira nem beira, da perversidade num mundo de aparências move os escritores desde há muito. Uns, como Honoré de Balzac na sua Comédia Humana, eram ácidos sem ser cruéis; o mundo poderia ser trágico, mas, ainda assim, eloquente como o recorte de uma janela. Charles Bukowski, em seu tempo, derruba janelas e portas com um chute bem dado no queixo daqueles que se metem em seu caminho. Ficam estateladas, as personagens, entre cacos de vidro, sujeira e tudo o mais que cerca o inferno (e os inferninhos) da grande cidade – Los Angeles, para ser mais específico. A Mulher Mais Linda da Cidade é, também, a pior – e, por isso mesmo, legítimo exemplar da espécie humana –, que se envolve com o pior homem. Ao redor de ambos, os piores tipos se esbaldam, enfurnados em pocilgas fedorentas, penitenciárias que não valem nada e tantas outras ilusões perdidas, típicas de uma cidade que vive da imagem envelhecida dos filmes em preto e branco.

bukowski

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