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Na década de 1970, o rock’n’roll deixou de ser apenas diversão para se tornar comunhão. Até os Beatles sacaram que não dava para continuar no iê-iê-iê. A exaltação do piscodelismo, o refinamento do progressivo, o glitter exagerado do glam e muitas outras variáveis ajudaram a difundir (e confundir) o rock como ideia para além de si mesma. Não era só rebeldia juvenil; era vida transpirando, viagens sem destino à procura de uma essência. Ou nada disso. Pelo meio do caminho, a união dos talentos de João Ricardo (vocais, violão e harmônica), Ney Matogrosso (vocais) e Gérson Conrad (vocais e violão) retumbaria na deslumbrante Secos & Molhados, uma das bandas brasileiras mais influentes na história da música. E nem vamos entrar no mérito da pintura facial do grupo anteceder aquela da banda de rock (ou loja de produtos personalizados?!) chamada Kiss. Os álbuns de 1973 e 1974, ambos chamados apenas Secos & Molhados, são os únicos que incluem o trio original e trazem o vocal-líder insubstituível de Ney. Letras curtas e viciantes somadas às harmonias elaboradas prescreviam um outro rock nacional que poderia falar de tudo: da latinidade do sangue ao homem que vira lobisomem, das terríveis consequências da bomba de Hiroshima ao verme que passeia na lua cheia. Como o melhor do rock, não há limites. Secos & Molhados foram tão geniais – um fenômeno de vendas de discos – quanto efêmeros em sua formação clássica. Dois álbuns indispensáveis para quem curte rock’n’roll no Brasil ou em qualquer lugar do mundo.

secosmolha

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