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Ideias simplórias acompanham a humanidade desde os tempos imemoriais, ainda que ninguém mais se lembre disso. Quando a mente humana quis algo para além da sobrevivência, estes pensamentos iniciais tomaram forma – a maioria, contraproducente. Vai daí que os eventos naturais, como a chuva, o raio e o vento ganharam ares místicos. Astros siderais, como o Sol e a Lua, transformaram-se em deuses. E ante o poder de uma tempestade de areia ou um furacão, aquela nova espécie de animal pensante se sentiu pequena demais. O mundo das ideias lhe abriu muitos caminhos, propiciou-lhe a expansão e a migração por todo o globo, mas também transformou o substantivo medo num adjetivo para tempos incertos. Muitos outros deuses, mitos, lendas, imperadores, reis e presidentes depois, damos com nós mesmos, avassalados por uma tecnologia global, conectando idiotices e irracionalidades como quem flana sem eira nem beira. E as ideias simplórias retornam, dividindo a realidade entre o certo individual e o errado coletivo. Ansiosos que são desde que pisaram neste planeta pela primeira vez, os humanos partem logo para o confronto. Mesmo com uma história gigantesca e fascinante a lhes servir de exemplo, insistem que a unilateralidade os salvará do caos. E, tolos que só eles, deixam de lado as questões mais ancestrais, que lhes definem neste preciso e precioso momento. Nos discursos salvadores, as desigualdades apareceram somente hoje; a miséria humana é uma questão menor porque os inimigos (da pátria, da sociedade, dos bons…) estão aí prejudicando a todos, com suas falsas ilusões. Ideias simplórias acompanham a humanidade em seus piores momentos, transformando pessoas comuns em deuses ou monarcas absolutistas. Promoveram tiranos nos dois lados do Atlântico, como também ali nas imediações do Pacífico e do Índico. Fizeram matanças horrendas de nativos na América e na África. Colocaram milhares ou milhões de mulheres na fogueira chamando-as de bruxas. Exterminaram sistematicamente judeus e ciganos nas câmaras de gás. Tiraram as riquezas de povos deixando-os em guerras civis que parecem não ter fim. Quem acredita numa ideia simplória nunca olhou a si mesmo em sua completa, total e absoluta insignificância.