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Olhando a posteriori, uma grande parte do cinema americano nos anos setenta ficou ausente de charme. Talvez essa carência de um estilo social tenha contribuído para o aumento da violência (urbana, sobretudo) em esfera mundial. E, não por acaso, o gênero que desabrocha nesse contexto é justamente o cinema-catástrofe. Pânico na Multidão (1976), de Larry Peercer, traz então um símbolo dessa época, com uma das expressões faciais mais duras de Hollywood: Charlton Heston. À personagem do eterno Moisés cabe evitar o inevitável. O filme envelhece mal não pela temática que insiste em se repetir, mas pela abordagem focar somente na situação presente e se esquecer do universo contemporâneo. O atirador que decide abrir fogo aleatoriamente contra a multidão num estádio de futebol americano permanece ele mesmo fruto de sua incapacidade. O estádio de futebol se chama Coliseu, referenciando à violência de tempos antigos, mas alertando para o olhar interno dentro da própria brutalidade no futebol americano. A demora na ação do atirador impõe ao filme uma narrativa de sugestão, sem pontos oscilantes. Ainda que irregular e nada atraente, Pânico na Multidão tem um jeito todo seu de incomodar, qualquer coisa que fica presa na garganta, como uma frase sem fim ou um atirador sem motivos aparentes.

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