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Ao menos dois fantasmas indagam Ray Kinsella (Kevin Costner) se o campo de baseball que o fazendeiro construiu no meio da plantação de milho é o paraíso. E Ray diz que não, que aquilo ali é Iowa. E é nessa fronteira simples entre a terra e o céu – razão e sensação! – que flutuam as personagens de Campo dos Sonhos (1989), de Phil Alden Robinson. Kevin Costner, em fase inspirada que vai até Um Mundo Perfeito (1993), de Clint Eastwood, interpreta o típico estadunidense médio, de sonhos perdidos pelo meio do caminho, gente comum que chega ao mundo adulto com a ambição desconstruída. O filme se desenvolve no ritmo de uma pseudo-fábula própria do final dos anos 1980 e começo dos 1990: tom motivacional, cadenciado por frases de efeito constantes, quase como um anúncio do que se tornaria o universo da auto-ajuda nos anos seguintes. A lamentar o fato de Phil Alden Robinson não ter pensado o filme em preto e branco, o que carregaria o simbolismo para o lado da metáfora, deixando à auto-ajuda o espaço de irrelevância que lhe cabe quando o assunto é arte.

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