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Para Randy ‘The Ram’ Robinson não há mais verdade do que aquela encontrada num ringue de uma luta planejada, na qual o vencedor se define antes do combate iniciar. E, suportando ou aceitando essa mentira, Mickey Rourke (Randy) também aprende da forma mais dolorosa de que é feito um ator, graças ao entusiasmado trabalho de Darren Aronofsky na direção de O Lutador (2008). Se a carreira de Rourke foi severamente afetada pela decisão de lutar boxe, Aronofsky tem plena consciência de que este é seu maior trunfo na película, ainda que possa contar também com a atuação dignificante de Marisa Tomei, contraponto e contraparte necessária à vida de Randy. Feito uma silhueta, Randy abre o filme seguido pela câmera que insiste em não lhe encarar. Qual os melhores atores da velha Hollywood, não é necessária expressão maior do que o próprio rosto da personagem-ator a representar tudo o que se faz mais essencial no cinema. Quando decide parar de lutar, Randy assiste uma luta e, novamente, a câmera lhe apresenta ao espectador como não mais que uma silhueta, igual aos demais. A carne, amassada ou não, iguala a todos. Cassidy (Tomei), uma stripper em fim de carreira e mãe de uma criança, gosta de ter com Randy porque lhe compreende, visto que ela mesma caiu vítima das circunstâncias. E se Cassidy não quer se envolver com Randy, seu cliente do clube noturno, traz para si a obrigação de preservar seu mundo particular. Já o lutador não quer mudar, mas precisa. O round acaba e as ilações já não lhe dizem respeito.

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